Incêndios em edifícios em Portugal: a realidade dos números

Os incêndios são um problema real em Portugal, amplamente conhecido e reconhecido por toda a sociedade. No entanto, a perceção global, e a atenção mediática, centra-se maioritariamente nos incêndios florestais, em detrimento dos incêndios urbanos. Os incêndios florestais são um flagelo que temos que combater, mas urge dar mais atenção aos incêndios urbanos visto que, ao contrário dos florestais, o número de ocorrências não está a diminuir, tendo até aumentado em algumas tipologias!

A tabela em baixo, retirada do Relatório de Atividades da Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil (ANEPC) referente ao ano 2019, dá-nos o número de ocorrências de incêndios urbanos.

Tipo de Socorro

2017

2018

2019

Incêndios em Habitação

7 019

7 764

7 888

Incêndios Industriais

741

706

715

Outros incêndios (excluindo os rurais)

10 809

11 321

11 932

Total

18 569

19 791

20 535

A leitura dos números da tabela acarreta alguns desafios, especialmente tendo em conta que em “Outros incêndios (excluindo os rurais)” se incluem ocorrências em automóveis, por exemplo, que não é o foco desta análise.             

Habitações, Indústria, e Hotelaria e Restauração são as tipologias mais afetadas

Entre 2006 e 2010, a ANEPC (ANPC – Autoridade Nacional de Proteção Civil – à data) disponibilizava um Anuário de Ocorrências, onde detalhava o número de ocorrências por tipologia de utilização dos edifícios. Os cinco anuários já não estão acessíveis no renovado site da ANEPC, mas ainda estão acessíveis no site da Associação Portuguesa de Segurança (APSEI). [Para aceder clique aqui] Esses dados já demonstravam que os edifícios pertencentes às Utilizações-Tipo I (Habitacionais), VII (Hotelaria e Restauração), e XII (Industriais) eram as mais afetadas, com uma média de 7228 ocorrências em habitações, 458 em edifícios de hotelaria e restauração, e 1136 em edifícios industriais.

Em 2017, no IV Congresso Internacional de Riscos, em Coimbra, Paulo Machado, do Laboratório Nacional de Engenharia Civil (LNEC), e Eliane Silva, da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa (FCSH/UNL), fizeram uma intervenção intitulada “O Risco de Incêndio em Meio Urbano: Factos Recentes com Relevância para a Sensibilização das Comunidades” (pode ver o documento completo aqui), onde trabalharam os números de 2016, fornecidos pela ANEPC, tendo apresentado os valores médios de ocorrências para as seis tipologias mais afetadas. Vejamos os números na infografia abaixo:

Chiado, 1988. Tondela, 2018

O incêndio no Chiado em 1988 foi um dos acontecimentos que marcou a história dos incêndios em Portugal pois destruiu 18 edifícios, vários deles património histórico, provocou mais de 50 feridos, e fez duas vítimas mortais (um bombeiro e um residente). O incêndio ainda desalojou cinco famílias, num total de 21 pessoas, e deixou duas mil desempregadas.

Outro incêndio marcante na nossa história recente aconteceu na associação recreativa de Vila Nova da Rainha, em Tondela, no início ano de 2018. Nessa noite, decorria um torneio de sueca, e estavam 70 pessoas dentro do edifício quando o incêndio deflagrou. Dessas, 46 ficaram feridas, e oito foram vítimas mortais. Estes foram dois dos casos mais mediáticos, mas, se estivermos atentos, é recorrente ouvirmos notícias sobre incêndios em edifícios, pese embora com muito menos destaque.

Segundo os dados que a APSEI tornou públicos em 2014, em Portugal ocorrem em média  10 mil incêndios urbanos por ano, que provocam cerca de 60 mortos anualmente. Carlos Fernandes, engenheiro e especialista em segurança contra incêndios reforçou estes dados numa entrevista ao Expresso, em 2017 (pode ler a entrevista completa aqui).


O que estes números demonstram é que urge apostar na Segurança Contra Incêndios em Edifícios, de forma a minimizar os impactos dos incêndios em meio urbano, particularmente o número de vítimas mortais. Um bom princípio é perceber se o seu edifício cumpre todas as normas, e tem todos os equipamentos operacionais. Nós podemos ajudar. Fale connosco!


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